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sábado, 1 de março de 2014

MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE DE UM FRAGMENTO DA MATA ATLÂNTICA NO SUDESTE DO BRASIL.

MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE DE UM FRAGMENTO DA MATA ATLÂNTICA NO SUDESTE DO BRASIL.
André Luiz de Oliveira1
Igor Soares de Oliveira2

1 - Programa de Pós-Graduação em Conservação da Natureza e Educação Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, Paraná.

2 – Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UNICAMP, Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros, Campinas, São Paulo.


RESUMO

A Mata Atlântica abriga uma grande diversidade biológica e de microambientes, com muitos táxons ameaçados de extinção, sendo um hotspot de biodiversidade. Apesar disso, ainda existe carência de informações sobre a ocorrência de espécies em escalas locais para diversos pontos de sua abrangência, criando lacunas de informação e dificultando a implantação de planos para sua preservação. Dentre os diversos grupos animais carentes de informações nesta escala, encontram-se os mamíferos, os quais são vítimas de muitas ameaças decorrentes do avanço das ações antrópicas. Sendo assim, visando gerar informações sobre a ocorrência de espécies das mastofauna de médio e grande porte em uma área da Mata Atlântica do sudeste brasileiro, investigamos ambientes distintos em um fragmento de Floresta Atlântica em uma Unidade de Conservação estadual (Parque Estadual Campina do Encantado – PECE) no município de Pariquera-Açú, no Estado de São Paulo. Foram realizadas 42 campanhas de campo entre os meses de abril e setembro de 2012, com uso de diferentes métodos de amostragens combinados (e.g. armadilhas fotográficas, armadilhas de pegadas, busca ativa) que permitiram o registro de 18 espécies de mamíferos. Leopardus tigrinus (Schreber, 1775) apresenta o status de espécie vulnerável em nível nacional e internacional de acordo IUCN, 2012. Lontra longicaudis (Olfers, 1818) é considerada quase ameaçada no estado de São Paulo (BRESSAN et al. 2009) e com deficiência de dados na lista internacional (IUCN, 2012). Cuniculus paca (Linnaeus, 1758), Metachirus nudicaudatus (É. Geoffroy, 1803) e Marmosops incanus (Lund, 1840) apresentam a categoria de quase ameaçadas, e, Galictis cuja (Molina, 1782) deficiência de dados no estado de São Paulo (BRESSAN et al. 2009), enquanto que Bradypus variegatus (Sching, 1825), é considerada regionalmente extinta do estado do Paraná (MIKICH et al. 2004). A Ordem Carnivora foi representada por sete espécies, divididas em quatro famílias, sendo que Cerdocyon thous e Procyon cancrivorus apresentaram o maior número de registros 83 e 12, respectivamente. Também foi construída uma curva de acumulação de espécies que indica a probabilidade de ocorrência de um número ainda maior de táxons. Nossos resultados sugerem que o PECE possui potencial para abrigar uma grande diversidade local, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Palavras-chave: Mamíferos, Mata Atlântica, Biodiversidade.

 

ABSTRACT

Atlantic Rain Forest is synonymous of great biodiversity and microhabitats, with several taxa endangered. Thus, Atlantic Rain Forest has been considered an important hotspot of biodiversity in the world. Nevertheless, there is still a lack of information on the occurrence of species at local scales for different parts of its range, with innumerous gaps of information, impairing the implementation of conservation plans. Among several groups of animals with lack of information in local scale, mammals are victims of several threats arising from human activities. Therefore, in order to generate information on the occurrence of medium and large mammals in a site of the Atlantic Forest of southeastern Brazil, herein we investigate different environments in a fragment of Atlantic Forest, (Parque Estadual Campina do Encantado – PECE) in a protected area in the municipality of Pariquera-Açú, in the State of São Paulo. Field samples were conducted between April and September 2012, using different sampling methods combined (e.g. camera traps, traps footprints, active search), we recorded 18 species of mammals. Leopardus tigrinus presents the status of vulnerable in the national and international (IUCN) redlist. Lontra longicaudis (Olfers, 1818) is considered near threatened in the state of São Paulo (BRESSAN et al. 2009). Cuniculus paca (Linnaeus, 1758), Metachirus nudicaudatus (É. Geoffroy, 1803) and Marmosops incanus (Lund, 1840) present the category of near threatened, and Galictis cuja (Molina, 1782) data deficiency in the state of São Paulo (BRESSAN et al. 2009), while Bradypus variegatus (Sching, 1825), is considered regionally extinct in the state of Paraná (MIKICH et al. 2004). Order Carnivora was represented by seven species, divided into four families, and Cerdocyon thous and Procyon cancrivorus had the highest number of records 83 and 12, respectively. Also, we constructed a species accumulation curve that indicates the likelihood of a greater number of taxa. Yet, our results suggest that the PECE has the potential to host a great local diversity, including endangered species.
Keywords: Mammals, Atlantic Rain forest, Biodiversity.


1. INTRODUÇÃO

O Brasil é um país megadiverso, composto por fitofisionomias distintas e diversificadas (CAPOBIANCO, 2002). Dentre estas, destaca-se o hotspot Mata Atlântica (MYERS et al. 2000), formado por subunidades como as Florestas Ombrófilas Densa e Mista, as Florestas Estacionais Decídua e Semi-Decídua, além de habitats conspícuos como os mangues, restingas e as formações campestres (CÂMARA, 2003).
A Mata Atlântica, originalmente cobria uma faixa litorânea desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, mas atualmente é o ecossistema mais afetado pela fragmentação e desmatamento, restando menos de 16% de sua cobertura vegetal original, distribuída em fragmentos esparsos (RIBEIRO et al. 2009). Apesar disso, essa formação ainda abriga uma grande diversidade de espécies da flora e da fauna, inclusive com inúmeros casos de endemismos, acentuando seu valor para a conservação da biodiversidade mundial (MYERS et al. 2000; TABARELLI et al. 2005).
Dentro dos domínios da Mata Atlântica, o Estado de São Paulo foi um dos que mais sofreu com o desmatamento florestal, mas ainda hoje abriga um dos maiores contínuos de remanescentes da Mata Atlântica do Brasil (RIBEIRO et al. 2009), sendo que seus principais remanescentes se concentram na escarpa da Serra do Mar, na Serra da Mantiqueira e Região do Vale do Ribeira (SMA, 2009; GALETTI & SÃO BERNARDO, 2004).
Dentre os diversos grupos animais dessa formação vegetal, os mamíferos estão entre os mais ameaçados pelos efeitos antrópicos, sobretudo os de médio e grande porte, uma vez que necessitam de áreas de vida maiores, são tradicionalmente sujeitos à caça e são suscetíveis a danos populacionais irreversíveis (COSTA et al. 2005; SCHIEFELBEIN et al. 2005). Mamíferos desempenham um importante papel na manutenção e regeneração das florestas tropicais, com funções ecológicas vitais, sendo considerados elementos-chave na estruturação de comunidades biológicas, através dos processos de predação e dispersão de sementes, folivoria e frugivoria (CUARÓN, 2000) e posição diversificada em teias tróficas. Proteger as espécies-chaves é uma prioridade para os esforços de conservação, pois a perda de uma espécie-chave em uma área de conservação, pode gerar um efeito em cascata, levando à perda de função da unidade (PRIMACK & RODRIGUES, 2001). Desta forma, estudos com mamíferos são importantes para a avaliação e conservação de áreas protegidas, pois o grupo é considerado um indicador do estado de perturbação do ambiente (CHIARELLO, 2000; LAIDLAW, 2000).
Dessa forma, estudos que forneçam informações sobre áreas de ocorrência de mamíferos são valiosos para a conservação do grupo e de seu ambiente de vida, principalmente em Unidades de Conservação onde podem auxiliar na avaliação da sua efetividade (e.g. ARAÚJO et al. 2008; VALLADÁRES-PÁDUA et al. 2006). Estudos em campo com foco em mamíferos terrestres, particularmente mamíferos de médio e grande porte, exigem o uso de técnicas que permitam a detecção dos exemplares, mesmo sem sua visualização direta (SILVEIRA et al. 2005), sendo necessárias metodologias específicas para diferentes espécies (VOSS & EMMONS, 1996; EMMONS & FEER, 1997; PARDINI et al. 2003).
Pegadas e rastros são os sinais mais frequentemente encontrados, e permitem uma identificação confiável (muitas vezes até o nível específico). Por outro lado, outras técnicas (e.g. armadilhamento fotográfico ou busca ativa) permitem o registro visual de exemplares e também o monitoramento de determinadas áreas por períodos de tempo prolongados (VOSS & EMMNOS, 1996; WILSON et al. 1996; TOMAS & MIRANDA, 2003; NEGRÃO & VALLADARES-PÁDUA, 2006), além de servirem como ferramentas auxiliares em estudos populacionais, de territorialidade, períodos de atividade, comportamentos, deslocamentos e até interações entre espécies (BECKER & DALPONTE, 2013).
Sendo assim, considerando a carência de informações sobre a ocorrência de espécies em escalas locais para diversos pontos de sua abrangência, criando lacunas de informações e dificultando a implantação de planos para sua preservação, aliado ao avanço do desmatamento sobre o hotspot Mata Atlântica e os serviços ecossistêmicos prestados pelos mamíferos, apresentamos aqui a riqueza da mastofauna de médio e grande porte de um remanescente da Floresta Atlântica do sudeste brasileiro. Além disso, apresentamos resultados do levantamento preliminar de mamíferos de médio e grande porte, o uso de ambientes distintos no interior do fragmento e avaliamos a eficiência do Parque Estadual Campina do Encantado (PECE) na conservação das espécies.

2. Material e Métodos

2.1. Área de Estudos

O Parque Estadual Campina do Encantado apresenta uma área de 3.258,34 hectares, localizado no município de Pariquera-Açú, Estado de São Paulo (coordenadas 24ª 38’ 55” S e 47º 48’ 35” O). O parque apresenta uma grande variedade de fitofisionomias associadas aos tipos de solos do local, como Florestas de Restinga Arenosa (RA) caracterizada por vegetação secundária em terreno plano e mais elevado, predominando Cryptocaria moschata (Lauraceae), Manilkara subsericea (Sapotaceae), Astrocaryum aculeatissimum, Euterpe edulis (Arecaceae), Psidium sp (Myrtaceae) e Cecropia sp (Cecropiaceae); Floresta de Restinga Arenosa em Recuperação (RR) caracterizada por vegetação inicial devido a forte antropização, Vernonia sp (Asteraceae), Cecropia sp (Cecropiaceae), Tibouchina sp (Melastomataceae), Psidum sp (Myrtaceae); Paludosa com turfeiras periodicamente inundadas (RP), sujeita a ação hídrica fluvial nos períodos mais chuvosos, apresenta acúmulo de matéria orgânica parcialmente decomposta em função do ambiente anóxido, caracterizada por Tapira guianensis (Anacardiaceae), Nectandra oppositifolia (Lauraceae), Inga vera (Fabaceae), Rapanea sp (Myrsinaceae), Alchornea triplinervia (Euphorbiaceae) e Marlierea tomentosa (Myrtaceae), além de Florestas de Restinga Ribeirinha (RRib) permanentemente inundada, apresentado extrato herbáceo bem desenvolvido e espécies arbustivas formando dossel descontínuo, representado por Miconia sp, Leandra sp (Melastomataceae), Nectandra oppositifolia (Lauraceae), Rapanea sp (Myrsinaceae) e Myrcia multiflora (Myrtaceae) e área de Mata Ciliar (MC) correspondente ao córrego Braço feio.
Inserido na bacia hidrográfica do rio Ribeira de Iguape, faz parte do Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá. O clima da região é do tipo Cfa (sensu Köppen), i.e., mesotérmico úmido sem estação seca, chuvoso de janeiro a março e seco de junho a agosto, com pluviosidade média anual de 1.688 mm (SZTUTMAN et al. 2002).
A área de estudos encontra-se localizada na parte oeste do PECE e abrange um total de 449,17 hectares (Figura 1). O local consiste no núcleo de visitação do PECE e apresenta diversas trilhas (trilha da Brejaúva, trilha das Palmáceas, trilha do Ingá e trilha da Campina), todas relacionadas a atividades de educação ambiental desenvolvidas no parque.

2.2.1. Coleta de dados

Realizamos 42 campanhas de campo entre os meses de abril e setembro de 2012, totalizando 96 horas/homem de atividades, sendo amostrados os  ambientes de Floresta de Restinga Arenosa, Floresta de Restinga Paludosa com turfeira periodicamente inundada, Floresta de Restinga Ribeirinha, Mata ciliar e Floresta de Restinga Arenosa em Recuperação.
Para o registro das espécies, seguimos os métodos através de busca ativa em transectos lineares propostos por BUCKLAND et al. 1993; VOSS & EMMNOS, 1996; CULLEN & RUDRAN, 2003; armadilhamento fotográfico por WILSON et al. 1996; TOMAS & MIRANDA, 2003; TROLLE et al. 2003, e armadilhas de pegadas por NEGRÃO & VALLADARES-PÁDUA, 2006; SCOSS et al. 2004; PARDINI et al. 2003; DIRZO & MIRANDA, 1990.
Para os registros fotográficos utilizamos duas câmeras fotográficas (Trophy Cam) com sensor de presença (Infrared BUSNHELL), instaladas no interior do PECE distantes cerca de 100 metros uma da outra. As câmeras foram programadas para funcionamento em modo contínuo com ajuste de cinco segundos entre fotos. As armadilhas foram armadas de modo rotativo em quatro trilhas pré-existentes no PECE, totalizando 42 pontos amostrais, onde permaneciam de 120 a 240 horas consecutivas em cada ponto. Em algumas ocasiões, foram deixadas iscas (e.g. PARDINI et al. 2003; SCOSS et al. 2004; SCHIEFELBEIN et al. 2005) para favorecer o registro dos animais.

Figura 1: Parque Estadual Campina do Encantado, no município de Pariquera-Açú, Estado de São Paulo, evidenciando a heterogeneidade de ambientes existentes no local.

As armadilhas de pegadas consistiram na disposição de caixas (50 x 50 x 03 cm) com areia fina e úmida ao longo de trilhas no interior do remanescente florestal, seguindo o proposto por DIRZO & MIRANDA, 1990 e PARDINI et al. 2003. As armadilhas foram dispostas em 36 pontos amostrais, sendo duas armadilhas por ponto. A identificação das espécies registradas por esse método foi realizada através de consultas a guias de campo específicos ou especialistas. Cada registro foi fotografado e para pegadas em bom estado foram confeccionados moldes de gesso, os quais foram destinados a especialista para identificação e posteriormente foram doados ao PECE para atividades educacionais e acervo técnico.
Outro método de amostragem foi a busca ativa em transecto linear (BUCKLAND et al. 1993), utilizada para o registro de espécies arborícolas. Durante a busca ativa, foram considerados os registros diretos e indiretos da presença de mamíferos. As observações diretas consistiram no registro visual e/ou auditivo de espécimes durante o percurso de transectos em trilhas existentes no PECE. Os transectos foram percorridos em horários compreendidos entre 8h e 16h e 18h e 7h. O percurso era percorrido através de caminhada com velocidade média de 1km/h, com duração variada, duas vezes por semana. As amostragens indiretas, por sua vez, compreenderam os registos como restos mortais, fezes, pegadas em solo argiloso, tocas e marcas em árvores, observados durante o percurso dos transectos.
Para os dados registrados em campo, anotamos data, hora, coordenadas, tipo de registro, medidas, espécies, número de exemplares e, quando possível, efetuamos o registro fotográfico.

2.2.3. Análises

A fim de avaliarmos a relevância do PECE para a conservação da mastofauna, comparamos o status de ameaça das espécies registradas em diferentes listas estaduais, nacional e global.
Para avaliar a eficiência da amostragem, construímos uma curva de acumulação de espécies com estimador jackknife, de acordo com a ocorrência (presença e ausência) por campanha dos táxons registrados, independentemente do método de amostragem (COLWELL, 2006).
Para verificar a relação de similaridade entre ambientes através da composição específica entre os pontos amostrados utilizamos o índice de similaridade de Jaccard com a posterior construção de um dendrograma por análise de agrupamento com o algoritmo UPGMA (KREBS, 1999), sendo consideradas áreas altamente similares aquelas com Cj ≥ 0,80.

3. Resultados

Através dos métodos utilizados identificamos 18 espécies de mamíferos silvestres com ocorrência no PECE, sendo as espécies agrupadas em sete ordens (Carnivora, Primates, Artiodactyla, Rodentia, Cingulata, Didelphimorphia e Pilosa) compreendendo 13 famílias (Canidae, Procyonidae, Mustelidae, Felidae, Atelidae, Cervidae, Sciuridae, Erethizontidae, Cuniculidae, Dasypodidae, Didelphidae, Bradypodidae e Myrmecophagidae).
O esforço amostral consistiu na utilização de 366 armadilhas fotográficas/dia resultando em 8.784 horas de monitoramento através de armadilhamento fotográfico, 13.176 armadilhas de pegadas em parcelas de areia, e 96 horas de percurso de transectos em observações diretas e indiretas em períodos alternados.
O armadilhamento fotográfico possibilitou o registro de 14 das 18 espécies de mamíferos de médio e grande porte, correspondendo a 77,7% da amostragem, sendo cinco Carnivora, um Artiodactyla, dois Rodentia, um Cingulata, três Didelphimorphia e dois Pilosa. Três espécies foram identificadas somente por este método, sendo dois Didelphimorfia (Metachirus nudicaudatus e Mamosops incanus) e um Pilosa (Tamandua tetradactyla). Ainda dentre as espécies identificadas por esse método, Cerdocyon thous (n=83), Cuniculus paca (n=18) e Procyon cancrivorus (n=12) foram amostrados em todos os ambientes estudados e apresentaram a maior abundância em número de registros, com período de atividade sempre noturno. Por outro lado, Dasypus novemcinctus (n=8), Didelphis aurita (n=8), Guerlinguetus ingrami (n=8), Eira barbara (n=6), Mazama gouazoubira (n=5), Galictis cuja (n=3), Leopardus tigrinus (n=2) e Tamandua tetradactyla (n=1) foram os menos abundantes em número de registros, respectivamente. A espécie M. gouazoubira apresentou registros apenas em ambiente antropizado em fase de recuperação (RR) e G. cuja, foi registrado somente em RA, não sendo observados em outros pontos amostrais.
Através da observação direta e indireta durante o percurso de transectos lineares, foram registras nove das 18 espécies identificadas, correspondendo a 50% dos registros, sendo três Carnivora, um Primata, dois Rodentia, um Pilosa, um Didelphimorphia e um Cingulata. Alouatta sp (Bugio), apresentou (n=11) registros através de vocalização no interior do remanescente florestal (RP), não possibilitando sua identificação em nível específico. Através do método de observação direta e indireta por percurso de transecto linear registramos ainda quatro espécies, sendo um Carnívoro (Lontra longicaudis), um Primata (Alouatta sp.), um Pilosa (Bradypus variegatus) e um Rodentia (Sphiggurus villosus). A espécie Bradypus variegatus (n=2) foi observada se deslocando sobre o solo entre o remanescente florestal, e também em deslocamento sobre um indivíduo arbóreo de Alchornea triplinervia.
O método de armadilhas de pegadas em parcelas de areia forneceu o registro de oito das 18 espécies registradas, correspondendo a 44,44% do total de registros, sendo seis Carnivora, um Artiodactyla e um Rodentia. Este método possibilitou o único registro do carnívoro Nasua nasua.
Com relação às espécies identificadas no parque, relacionando ao nível de ameaça aos quais cada espécie está sujeita e comparando as listas oficiais de espécies ameaçadas de extinção no estado de São Paulo, listas nacionais e internacionais, Leopardus tigrinus (Schreber, 1775) apresenta o status de espécie vulnerável no estado de São Paulo (BRESSAN et al. 2009) em nível nacional (CHIARELLO et al. 2008) e internacional (IUCN, 2012).
Lontra longicaudis (Olfers, 1818) é considerada quase ameaçada no estado de São Paulo (BRESSAN et al. 2009) e com deficiência de dados na lista internacional (IUCN, 2012).
As demais espécies, Cuniculus paca (Linnaeus, 1758), Metachirus nudicaudatus (É. Geoffroy, 1803) e Marmosops incanus (Lund, 1840) apresentam a categoria de quase ameaçadas, e, Galictis cuja (Molina, 1782) deficiência de dados no estado de São Paulo (BRESSAN et al. 2009), enquanto que Bradypus variegatus (Sching, 1825), é considerada regionalmente extinta do estado do Paraná (MIKICH et al. 2004).

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PARQUE ESTADUAL VILA VELHA

      
Saida de Campo:  Parque Estadual  Vila  Velha.  Unidades de Conservação
Prof. Almir Petersen Barreto

Com uma área de 3.122 ha, em 12/10/1953, pela Lei nº 2.192, foi criado o Parque Estadual de Vila Velha. Em 1966 o conjunto Vila Velha foi tombado  pelo  Departamento  de  Patrimônio  Histórico e Artístico do Estado.



Geograficamente, Vila Velha se localiza a 25° 15' de  latitude Sul e 50° 00'  de   longitude Oeste, altitude de 917 m. A área apresenta vegetação de campo e capões de mato esparsos, onde se destacam os Pinheiros do Paraná. O clima é mesotérmico com verões frescos e a topografia ondulada com escarpas, possuindo vários cursos d'água, que deságuam no Rio Tibagi.

 A 18 Km de Ponta Grossa, é integrado pelas formações areníticas, furnas e Lagoa Dourada, distando de Curitiba 80 Km.


ARENITOS


     Figuras gigantescas esculpidas pela ação das chuvas e dos ventos. A sua formação arenítica é o resultado do depósito de um grande volume de areia há aproximadamente 340 milhões de ano, no período carbonífero, quando esta região estava coberta por um lençol de gelo. Com o degelo, esse material foi ali abandonado e, com a erosão normal e as águas dos riachos da frente glassiária engrossando, esses depósitos foram retalhados, originando os arenitos de Vila Velha.

     A transformação continua Vila Velha está exposta à ação atmosférica e suas formações sugerem variadas figuras como: camelo, índio, noiva, garrafa, bota, esfinge, taça. 


























quinta-feira, 24 de maio de 2012

CARTA ABERTA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Caixa Postal  68038  Cidade Universitária, Ilha do Fundão
Rio de Janeiro, RJ – Brasil
CEP 21942-902
www.abeco.org.br
Brazilian Association of Ecology and Conservation



CARTA ABERTA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL SOBRE A REFORMA DO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO


Campinas, 21 de maio de 2012

Excelentíssima Senhora
Presidenta Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Senhora Presidenta,
Na condição de Presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação, escrevo-lhe em nome de nossos associados e de outros cientistas brasileiros que atuam na pesquisa, ensino e aplicação da ciência ecológica no país.
Quero manifestar, de início, apoio completo às preocupações e recomendações contidas na Carta que a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência lhe dirigiram em 17 de maio de 2012, bem como o documento mais detalhado destas duas sociedades científicas.
Não há sentido em repetir as ponderações e argumentos detalhados naquela carta. Há, porém, alguns pontos que, em nosso entendimento, fundamentam razões substantivas para revisar muito criticamente o projeto aprovado no Congresso e que aguarda sanção presidencial:
1)                               A Presidência da República tem, dentre suas mais significativas incumbências, a custódia do Patrimônio Natural do país. Este Patrimônio não é estático e imobilizador mas, ao contrário, representa o Capital Natural do Brasil.
2)                               O Capital Natural brasileiro não é, nem pode ser, circunscrito a Unidades de Conservação. Ele permeia também todas as áreas ocupadas e habitadas, onde é base de condições de qualidade de vida, habitabilidade e produtividade. Assim, este Capital deve ser reconhecido como produtivo e como componente essencial da sustentação atual e sustentabilidade futura da vida e atividade humanas. Isto, sem mesmo considerar seu potencial para desenvolvimento de novos usos, processos e produtos.
3)                               Visto desta perspectiva mais abrangente, o Código Florestal é um dos alicerces da Legislação Ambiental brasileira e uma das bases para assegurar o Capital Natural da Nação.   
4)                               Perante tal perspectiva, o atual processo de reforma do Código Florestal se apresenta precário e manifestamente inadequado.  Ao invés de significar um genuíno avanço e necessária atualização da Lei, o projeto ora encaminhado agrega enunciados ambíguos e jogos de palavras que se destinam evidentemente a tornar essa lei tão inócua quanto for possível.  Pior do que a estranha anistia a ilícitos recentes, é o amplo espaço que esse projeto abre para práticas futuras, quase desoneradas de respeitar a integridade funcional do ambiente que é – ou deve ser – o objetivo maior deste Código.
5)                               O Brasil necessita e merece uma legislação ambiental que contemple a produção e exploração efetiva agropecuária e florestal, erigindo normas que assegurem sua qualidade e continuidade futuras. Tais objetivos não serão atingidos sem que a integridade de ecossistemas, de seus processos e serviços, sejam amplamente assegurados e recompostos onde e conforme necessário.
6)                               Não há viabilidade de longo prazo possível se produção e habitação, por um lado, e preservação ambiental, por outro, forem sempre postos em confronto em vez de serem extensamente e efetivamente integrados. Este é bem o contrário do processo pelo qual se gerou o projeto em pauta.
7)                               Poucas decisões serão tão difíceis de serem retificadas futuramente, caso necessário, como as que concernem a legislação ambiental. Deliberações sobre a economia, educação, saúde ou outras demandas sociais podem ser melhoradas ou retificadas no âmbito de alguns anos ou de uma geração.  Porém, decisões que comprometerem a integridade ambiental e solaparem o Capital Natural do Brasil levarão décadas para serem corrigidas, isto se não se revelarem irreversíveis.
Quero concluir reiterando, em nome dos cientistas brasileiros que atuam profissionalmente na área ambiental, a estranheza que o Brasil se permita ignorar seu substancial capital de conhecimento e competência científicos, que deveriam ter sido amplamente engajados no processo de revisão do Código Florestal brasileiro.  Em sua quase totalidade, esses cientistas foram formados e capacitados com financiamento público, e a maioria pertence a quadros de universidades e instituições de pesquisa também públicas. Estão, por isto mesmo, claramente comprometidos com os interesses maiores do país e de seus cidadãos. Num processo sensato de revisão da legislação ambiental, caberia aos cientistas desta área apontarem erros do passado que não deveriam ser repetidos, e oferecer balizamentos, embasados em pesquisa e análise sólidas, para as melhores alternativas que se apresentarem.  Infelizmente, não é isto que ocorreu até o momento.
Confiante de que Vossa Excelência considere as razões expostas ao deliberar sobre assunto de tamanha importância e gravidade, subscrevo-me
Respeitosamente,


Thomas M. Lewinsohn
Presidente da ABECO

____________________________________



THOMAS M LEWINSOHN
PRESIDENTE
DEPTO. BIOLOGIA ANIMAL  -  IB
  UNICAMP
C.P 6109 - CAMPINAS, SP - BRASIL
CEP  13083-970
TEL: 55-19 35216333

thomasl@unicamp.br


sábado, 19 de maio de 2012

Parque Estadual do Rio Turvo - Barra do Turvo/SP

   


O Parque Estadual do Rio Turvo, criado a partir do Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga, através da Lei 12.810/2008, anteriormente denominado “Parque Estadual de Jacupiranga”, abrange uma área 73.893,87 Hectares, localizada ao Sul do território Paulista na região do Vale do Ribeira e do Litoral Sul, abrangendo partes dos municípios de Barra do Turvo, Cajati e Jacupiranga, inserido no Bioma da Mata Atlântica, com formações florestais nativas e ecossistemas associados (Lei 11.428/2006).
______________________________________________
O Parque Estadual do Jacupiranga foi tombado pelo CONDEPHAAT em 1985 e
declarado pela UNESCO como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, em
1991, e Sítio do Patrimônio Mundial Natural em 2000.
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      A Mata Atlântica do Parque constitui um grande corredor ecológico entre as Unidades de Conservação da Natureza do Vale do Ribeira e Litoral Sul de São Paulo e Litoral Paranaense, formando um contínuo com o P.E. Ilha do Cardoso, Parque Estadual Caverna do Diabo, Parque Estadual Lagamar de Cananéia, A.P.A. Federal Cananéia-Iguape-Peruíbe, A.P.A. Federal Guaraqueçaba, P.N. Superagüi, P.E. das Lauráceas, P.E. Turístico do Alto Ribeira, P.E. Intervales e A.P.A. Estadual da Serra do Mar, além da Reserva Extrativista do Mandira. Este conjunto configura o maior remanescente de Mata Atlântica preservada no país, protegendo ecossistemas naturais de grande relevância ecológica, com espécies endêmicas ameaçadas de extinção como o papagaio de peito roxo (Amazona vinacea), Saíra-sete-cores (Tangara seledon), Panthera onca (onça pintada), entre outras espécies de mamíferos. 


    O Parque Estadual do Rio Turvo, atualmente é cortado por uma Rodovia Federal, Rodovia Régis Bittencourt – BR 116, que  apresenta um  tráfego pesado entre caminhões e automóveis, favorecendo as degradações ambientais e ocupações irregulares ao logo da Rodovia, tornando as porções centrais do parque mais  acessíveis, além do tráfico de animais silvestres e caça predatória.



Localização e indicação do núcleo do Parque


Mosaico




 Espécies freqüentemente encontrada no parque

Vegetação de Floresta Ombrófila densa montana





Perereca encontrada na  trilha do Rio Turvo




Amazona vinacea, espécie ameaçada de extinção


     O papagaio-de-peito-roxo Amazona vinacea (Kuhl, 1820) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, ocorrendo desde o estado da Bahia até o Rio Grande do Sul, além do leste do Paraguai e norte da Argentina (SICK 1997, COCKLE et al. 2007). No entanto, sua ocorrência tornou-se fragmentada, limitando-se a esparsos e escassos fragmentos dentro da sua área de distribuição original (COLLAR et al. 1992), justificando sua inclusão em praticamente todas as listas de espécies ameaçadas de extinção, independente da escala de abrangência. Amazona vinacea está sob risco de extinção no mundo (BIRDLIFE INTERNATIONAL 2000), no Brasil (IBAMA 2003), em Minas Gerais (MACHADO et al. 1998), em São Paulo (SÃO PAULO 1998), no Rio de Janeiro (BERGALLO et al. 2000), no Espírito Santo (ESPÍRITO SANTO 2005) e no Rio Grande do Sul (MARQUES et al. 2002). No estado do Paraná existem populações maiores, mesmo assim a espécie aparece na categoria de quase ameaçada (MIKICH & BÉRNILS 2004). 

    Considerada mais comum na região sul do Brasil, a ausência de registros recentes para os estados da Bahia (CORDEIRO 2002) e Espírito Santo sugere uma forte retração de sua distribuição setentrional. Os últimos registros nesses estados para indivíduos em liberdade ocorreram em 1981 na Bahia (COLLAR et al. 1992) e, talvez, até 1990 no Espírito Santo (Fortaleza apud SICK 1997). Apesar da proximidade das localidades capixabas, não existem registros históricos na região leste de Minas Gerais ao norte do rio Doce (COLLAR et al. 1992, MELO JR 1998).



Amazona vinacea

Fontes alimentares de A.vinacea começaram a ser relatadas recentemente na porção sul de sua distribuição geográfica (COCKLEet al. 2007). Historicamente, associa-se a presença de A. vinacea à ocorrência do pinheiro-do-Paraná Araucaria angustifolia (COLLAR et al. 1992), cuja semente é uma das fontes alimentares mais citadas. Porém, o limite setentrional de A. angustifolia é o sul dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (LORENZI 1998), não alcançando o local do presente estudo. Além do pinheiro-do-Paraná, na porção meridional de sua ocorrência, A.vinacea utiliza inflorescências e sementes de outras coníferas (como Podocarpus lambertii e mesmo o exótico Pinus sp.), brotos, frutos e flores devárias espécies, incluindo da família Fabaceae (COCKLE et al. 2007). Na região metropolitana de Curitiba há registros de alimentação de frutos de jerivá Syagrus romanzoffianum, araçá Psidium longipectiotalum, pitanga Eugenia uniflora, cerejeira Eugenia involucrata e flores de corticeira Erythrina falcata, papagaieira Laplacea fruticosa e bracatinga Mimosa scabrella (ABE 2000). Há também registros de alimentação de folhas novas de Eucalyptus sp. e Pinus sp., frutos de palmito Euterpe edulis, folhas e brotos de taquara Guadua sp., além de relatos históricos que mencionam ataques a pomares de laranja (COLLAR 1997). 
     O atual registro trata- se, portanto, do primeiro uso comprovado desse gênero de leguminosa de ampla distribuição geográfica, podendo representar uma importante fonte alimentar para A. vinacea na região setentrional de sua distribuição durante pelo menos parte do ano. Na província de Misiones, Argentina, esse papagaio mantém sua maior concentração populacional em região com ocupação humana semelhante a Alto Rio Novo, onde existem pequenas e médias propriedades rurais praticando agricultura e pecuária de subsistência. Por outro lado, no nordeste do Paraguai, onde a ocupação agropastoril intensa não deixa fragmentos florestais e nem mesmo árvores isoladas nas áreas derrubadas, a espécie está restrita aos remanescentes florestais mais extensos ainda existentes (COCKLE et al. 2007). Dentre os poucos monitoramentos conduzidos com a espécie no Brasil, foi acompanhado um grupo na região metropolitana de Curitiba  utilizando uma faixa de Floresta Atlântica, remanescentes de Floresta com Araucária e também reflorestamentos com P. elliottii, sendo os últimos utilizados como dormitórios em determinada época do ano (ABE 2000).







Amazona vinacea

Biólogo: André L. Oliveira



domingo, 15 de abril de 2012

Aula de Campo na Floresta do Palmito

Floresta Estadual do Palmito

Aula de Campo: Avifauna - Herpetologia
Conservação da Natureza e Educação Ambiental - PUCPR






     A Floresta Estadual do Palmito está  localizada no município de Paranaguá, litoral do Estado do Paraná.  Apresenta uma área de 530 Hectares, delimitado ao norte com o canal do Cotinga (Baia de Paranaguá), leste com os Rios dos Almeidas e Oeste com o Ribeirão dos Correias.  

    Criada através do  Decreto 4.493/1998, é administrada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), onde anteriormente pertencia ao Banestado.

    A vegetação é do tipo Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, que é cortada por uma estrada de 8 km, abrangendo porções  do  tipo Restinga com formações  arbóreas com fisionomias  e composição florística homogênea, sugerindo graus distintos de desenvolvimento e finalizando sua porção em Manguezais caracterizados como Avicenia schaueriana, Laguncularia racemosa e Rhizophora mangle.







Observação de Aves 

BIRDWATCHING
                  

    O Brasil possui uma das mais ricas avifaunas do mundo, com as estimativas recentes variando entre 1.696 e 1.731 espécies. Cerca de 10% (193 táxons) dessas estão ameaçadas. A Amazônia apresenta o maior número de espécies, seguida pela Mata Atlântica e o Cerrado; entretanto, a maioria das espécies endêmicas do Brasil é encontrada na Mata Atlântica, especialmente nas terras baixas do litoral Sudeste e no Nordeste. O Cerrado possui o segundo maior número de espécies ameaçadas. A perda, degradação e fragmentação de habitats e a caça – especialmente para o comércio ilegal – são as principais ameaças às aves brasileiras. Numerosas iniciativas de conservação e pesquisa nos últimos 20 anos melhoraram, significativamente,  a capacidade de abordar e solucionar temas importantes para a conservação das aves. O Brasil requer um Plano Nacional para a Conservação das Aves para definir as prioridades de pesquisa e conservação na próxima década.



Caminhando na trilha da Floresta do Palmito para observação direta da Avifauna



 Coletando as espécies capturadas em Redes de Neblina  com o Prof. Eduardo Carrano




Espécie capturada em rede de neblina: Tiê - preto - Tachyphonus coronatus (Macho)









               Após a identificação de cada indivíduo,  é realizado o anilhamento e biometria. Cada pesquisador recebe um grupo específico de anilhas. 

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O anilhamento é uma técnica de marcação de aves com anéis numerados, que permite conhecer ao encontro dessas aves, o tempo de vida, as rotas migratórias, locais de reprodução, pontos de parada, dentre outras informações fundamentais para conservação das aves e seus ambientes.

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H E R P E T O L O G I A 
com o Prof. Drº Júlio Cesar Leite


Discutindo os  principais  Métodos de amostragens de Anfíbios e Répteis 

Caminhando pela trilha da Floresta do Palmito em busca ativa por répteis





Encontro de um  exemplar de Aranha Caranguejeira
Gramostola sp 
Formas de captura e manejo 




Áreas de Manguezais
CEBIMar - USP 
Por Sérgio A. Rodrigues

     O Brasil tem uma das maiores extensões de manguezais do mundo: desde o Cabo Orange no Amapá até o município de Laguna em Santa Catarina. Hoje em dia o manguezal ocupa uma superfície total de mais de 10.000 km², a grande maioria na Costa Norte.   O Estado de São Paulo tem mais de 240 km² de manguezal. No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior: muitos portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em áreas de manguezal.  Ao contrário de outras florestas, os manguezais não são muito ricos em espécies, porém, destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.

Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho, o mangue seriba e o mangue branco. As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e a gramínea Spartina. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores, na faixa coberta pela maré. Pelo contrário, os troncos permanentementes expostos e as copas das árvores são pobres em plantas epífitas. 
     Quanto à fauna, destacam-se as várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. Nos troncos submersos, vários animais filtradores, tais como as ostras, alimentam-se de partículas suspensas na água. A maioria dos caranguejos são ativos na maré baixa, enquanto os moluscos alimentam-se durante a maré alta. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na maré alta. Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem. Diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos nidificam nas árvores do manguezal. Alimentam-se especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos estão expostos. 
     Os manguezais fornecem uma rica alimentação proteica para a população litorânea brasileira: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é, para os moradores do litoral, a principal fonte de subsistência.      O manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado, embora sua importância econômica e social seja muito grande. No passado, estas manifestações de aversão eram justificadas, pois a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares onde a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito.  A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal.











Observando a Biodiversidade



                                                                                         Foto: Emília Noronha

                                   Foto: Emília Noronha

Pegadas de Felino (Leopardus sp.) sobre banco de areia na trilha da Floresta do Palmito