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sábado, 19 de maio de 2012

Parque Estadual do Rio Turvo - Barra do Turvo/SP

   


O Parque Estadual do Rio Turvo, criado a partir do Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga, através da Lei 12.810/2008, anteriormente denominado “Parque Estadual de Jacupiranga”, abrange uma área 73.893,87 Hectares, localizada ao Sul do território Paulista na região do Vale do Ribeira e do Litoral Sul, abrangendo partes dos municípios de Barra do Turvo, Cajati e Jacupiranga, inserido no Bioma da Mata Atlântica, com formações florestais nativas e ecossistemas associados (Lei 11.428/2006).
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O Parque Estadual do Jacupiranga foi tombado pelo CONDEPHAAT em 1985 e
declarado pela UNESCO como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, em
1991, e Sítio do Patrimônio Mundial Natural em 2000.
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      A Mata Atlântica do Parque constitui um grande corredor ecológico entre as Unidades de Conservação da Natureza do Vale do Ribeira e Litoral Sul de São Paulo e Litoral Paranaense, formando um contínuo com o P.E. Ilha do Cardoso, Parque Estadual Caverna do Diabo, Parque Estadual Lagamar de Cananéia, A.P.A. Federal Cananéia-Iguape-Peruíbe, A.P.A. Federal Guaraqueçaba, P.N. Superagüi, P.E. das Lauráceas, P.E. Turístico do Alto Ribeira, P.E. Intervales e A.P.A. Estadual da Serra do Mar, além da Reserva Extrativista do Mandira. Este conjunto configura o maior remanescente de Mata Atlântica preservada no país, protegendo ecossistemas naturais de grande relevância ecológica, com espécies endêmicas ameaçadas de extinção como o papagaio de peito roxo (Amazona vinacea), Saíra-sete-cores (Tangara seledon), Panthera onca (onça pintada), entre outras espécies de mamíferos. 


    O Parque Estadual do Rio Turvo, atualmente é cortado por uma Rodovia Federal, Rodovia Régis Bittencourt – BR 116, que  apresenta um  tráfego pesado entre caminhões e automóveis, favorecendo as degradações ambientais e ocupações irregulares ao logo da Rodovia, tornando as porções centrais do parque mais  acessíveis, além do tráfico de animais silvestres e caça predatória.



Localização e indicação do núcleo do Parque


Mosaico




 Espécies freqüentemente encontrada no parque

Vegetação de Floresta Ombrófila densa montana





Perereca encontrada na  trilha do Rio Turvo




Amazona vinacea, espécie ameaçada de extinção


     O papagaio-de-peito-roxo Amazona vinacea (Kuhl, 1820) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, ocorrendo desde o estado da Bahia até o Rio Grande do Sul, além do leste do Paraguai e norte da Argentina (SICK 1997, COCKLE et al. 2007). No entanto, sua ocorrência tornou-se fragmentada, limitando-se a esparsos e escassos fragmentos dentro da sua área de distribuição original (COLLAR et al. 1992), justificando sua inclusão em praticamente todas as listas de espécies ameaçadas de extinção, independente da escala de abrangência. Amazona vinacea está sob risco de extinção no mundo (BIRDLIFE INTERNATIONAL 2000), no Brasil (IBAMA 2003), em Minas Gerais (MACHADO et al. 1998), em São Paulo (SÃO PAULO 1998), no Rio de Janeiro (BERGALLO et al. 2000), no Espírito Santo (ESPÍRITO SANTO 2005) e no Rio Grande do Sul (MARQUES et al. 2002). No estado do Paraná existem populações maiores, mesmo assim a espécie aparece na categoria de quase ameaçada (MIKICH & BÉRNILS 2004). 

    Considerada mais comum na região sul do Brasil, a ausência de registros recentes para os estados da Bahia (CORDEIRO 2002) e Espírito Santo sugere uma forte retração de sua distribuição setentrional. Os últimos registros nesses estados para indivíduos em liberdade ocorreram em 1981 na Bahia (COLLAR et al. 1992) e, talvez, até 1990 no Espírito Santo (Fortaleza apud SICK 1997). Apesar da proximidade das localidades capixabas, não existem registros históricos na região leste de Minas Gerais ao norte do rio Doce (COLLAR et al. 1992, MELO JR 1998).



Amazona vinacea

Fontes alimentares de A.vinacea começaram a ser relatadas recentemente na porção sul de sua distribuição geográfica (COCKLEet al. 2007). Historicamente, associa-se a presença de A. vinacea à ocorrência do pinheiro-do-Paraná Araucaria angustifolia (COLLAR et al. 1992), cuja semente é uma das fontes alimentares mais citadas. Porém, o limite setentrional de A. angustifolia é o sul dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (LORENZI 1998), não alcançando o local do presente estudo. Além do pinheiro-do-Paraná, na porção meridional de sua ocorrência, A.vinacea utiliza inflorescências e sementes de outras coníferas (como Podocarpus lambertii e mesmo o exótico Pinus sp.), brotos, frutos e flores devárias espécies, incluindo da família Fabaceae (COCKLE et al. 2007). Na região metropolitana de Curitiba há registros de alimentação de frutos de jerivá Syagrus romanzoffianum, araçá Psidium longipectiotalum, pitanga Eugenia uniflora, cerejeira Eugenia involucrata e flores de corticeira Erythrina falcata, papagaieira Laplacea fruticosa e bracatinga Mimosa scabrella (ABE 2000). Há também registros de alimentação de folhas novas de Eucalyptus sp. e Pinus sp., frutos de palmito Euterpe edulis, folhas e brotos de taquara Guadua sp., além de relatos históricos que mencionam ataques a pomares de laranja (COLLAR 1997). 
     O atual registro trata- se, portanto, do primeiro uso comprovado desse gênero de leguminosa de ampla distribuição geográfica, podendo representar uma importante fonte alimentar para A. vinacea na região setentrional de sua distribuição durante pelo menos parte do ano. Na província de Misiones, Argentina, esse papagaio mantém sua maior concentração populacional em região com ocupação humana semelhante a Alto Rio Novo, onde existem pequenas e médias propriedades rurais praticando agricultura e pecuária de subsistência. Por outro lado, no nordeste do Paraguai, onde a ocupação agropastoril intensa não deixa fragmentos florestais e nem mesmo árvores isoladas nas áreas derrubadas, a espécie está restrita aos remanescentes florestais mais extensos ainda existentes (COCKLE et al. 2007). Dentre os poucos monitoramentos conduzidos com a espécie no Brasil, foi acompanhado um grupo na região metropolitana de Curitiba  utilizando uma faixa de Floresta Atlântica, remanescentes de Floresta com Araucária e também reflorestamentos com P. elliottii, sendo os últimos utilizados como dormitórios em determinada época do ano (ABE 2000).







Amazona vinacea

Biólogo: André L. Oliveira



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