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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Levantamento fitossociológico da RPPN Reserva da Pousada Graciosa: subsídio ao plano de manejo.


Jéssica Guerreiro de Miranda.
Gestora Ambiental.
Esp. Conservação da Natureza e Educação Ambiental
PUCPR
                                                                                                               jessica@maxgaia.com.br
                                                                                                                                       


1. Introdução


Bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria. (IBGE, 2004).
O bioma Mata Atlântica (ou Floresta Atlântica) é composto por um conjunto de ecossistemas, que incluem as faixas litorâneas do Atlântico, com manguezais e restingas, florestas de baixada e de encosta da Serra do Mar, florestas interioranas (florestas estacionais), as florestas com araucárias e os campos de altitude. (SOS MATA ATLÂNTICA, 2007; CAMPANILI E PROCHNOW, 2006).
Originalmente cobria 20% do território brasileiro, o que equivale a 1.500.000 Km2 (RIBEIRO et al., 2009). Atualmente está reduzida a 7,5%, com cerca de 91.930. Km2 preservados. Mesmo muito reduzida e fragmentada, a Mata Atlântica ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas (MYERS et al., 2000).
A área da Reserva faz parte de importante remanescente de Floresta Atlântica, com vegetação predominante de Floresta Ombrófia Densa Submontana.
Segundo VIANA (1990) fragmentos florestais remanescentes são fundamentais para a conservação da biodiversidade, devendo-se adotar técnicas apropriadas de recuperação e manejo. 
A conservação da vegetação local é importante também para a proteção dos recursos hídricos, já que na RPPN há três córregos que deságuam no rio São João, que por sua vez tem sua foz no rio Nhundiaquara, este com grande importância para o município de Morretes e litoral do Paraná.
Para tanto, têm-se a necessidade de conhecer suas características ecológicas, possibilitando desta forma um manejo com bases sustentáveis ambiental, econômica e social (FERREIRA, 1997). 
Neste contexto o presente trabalho tem como objetivo descrever a estrutura fitossociológica arbórea da Floresta Ombrófila Densa Submontana da Reserva da Pousada Graciosa, em Morretes, PR, e de comparar com informações de outros trabalhos na região, com vista a subsidiar o plano de manejo da RPPN.


  Figura 1 – Localização da RPPN Reserva da Pousada Graciosa.
Figura 2 – Uso do solo e cobertura vegetal do entorno da RPPN Reserva da Pousada Graciosa (2011).


Objetivos:

Descrever a estrutura fitossociológica arbórea de uma área de Floresta Ombrófila Densa Submontana localizada na Reserva Particular “Reserva da Pousada Graciosa”, no município de Morretes, PR. O intuito é caracterizar a vegetação e fornecer subsídios aos demais subprojetos na elaboração do Plano de Manejo para a RPPN.


2. Caracterização da área de estudo

A Reserva da Pousada Graciosa é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e está localizada em uma área de grande interesse para a conservação deste bioma, na cidade de Morretes, PR. A reserva conta com aproximadamente 17 hectares de floresta atlântica. 
Próximas a área estão localizadas algumas Unidades de Conservação: o Parque Estadual Pico do Marumbi a aproximadamente 3,3 km, Parque Estadual da Graciosa com distância aproximada de 5,2 km, Parque Estadual Roberto Ribas Lange com aproximadamente 8,1 km de distância, a RPPN Morro da Mina que se encontra a aproximadamente 7,1 km, e a AEIT (Área de Especial Interesse Turístico) do Marumbi com distância aproximada de 135 metros da RPPN. Por não existir esta categoria de unidade no SNUC, cogita-se a possibilidade de transformar a AEIT do Marumbi em (APA) Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar. Além das Unidades de Conservação mencionadas há também a Área Prioritária para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos benefícios da Biodiversidade MaZc126 – Morretes, segundo a ficha de áreas prioritárias do Ministério do Meio Ambiente, esta área possui uma importância biológica muito alta.


2.1 Vegetação

A Floresta Ombrófila Densa Submontana corresponde às formações florestais distribuídas sobre o início das encostas da Serra do Mar, sendo delimitada pelas porções da encosta a partir de 10 m, até altitudes em torno de 600. Das subformações da Floresta Ombrófila Densa, esta é a que apresenta maior diversidade vegetal, resultante da fertilidade de seus solos, da posição geomorfológica e do regime climático predominante, com chuvas abundantes e distribuídas ao longo do ano e da ausência de baixas térmicas invernais (geadas).
São dominantes nas formações ainda bem conservadas árvores de grande porte (até 30m de altura) como Virola bicuhyba (bocuva), Cedrela fissilis (cedro), Cabralea canjerana (canjerana), nalis (queima-casa) com suas grandes folhas que muito caracteriza o interior da floresta submontana juntamente com Euterpe edulis Pouteria torta (guapeva), Ficus luschnatiana (figueira-branca), Hyeronima alchorneoides (licurana) e Schizolobium parayba (guapuruvu), entre outras. Abaixo destas é destaque a presença de Bathysa meridio (palmiteiro), Inga sessilis (ingá-macaco) e Psychotria nuda (pimenteira). (RODERJAN & BRITEZ, 2002).
Espécies importantes da flora como o palmito (Euterpe edulis), canela-preta (Ocotea catharinensis) e a canela-sassafrás (Ocotea odorifera) estão presentes na área da Reserva. (TORRES 2011).


2.2 Fauna

Na RPPN há registros de animais ameaçados, como o cateto (ameaçado no Paraná), jacutinga e jaguatirica (ameaçados no Paraná e Brasil). Ainda, representando a fauna há registros de mais de 30 espécies de pássaros entre as quais: beija-flores, pica-pau (com cabeça vermelha), alma de gato, joão de barro, saíra sete cores, gralha azul, além de morcegos, anfíbios, répteis, gambá, capivara, preá, ratos silvestres, veados, macaco-prego, mão pelada, tatu, caninana, coral, cobra d’água, cobra-cega, anuros, borboletas, besouros, bicho pau, aranhas e opiliões. (TORRES 2011).

3. Método

Para o levantamento fitossociológico será utilizado o método de parcelas múltiplas, estabelecendo várias parcelas em vários locais da comunidade vegetal.O tamanho e o número de parcelas, bem como o critério de inclusão dos indivíduos arbóreos (diâmetro a altura do peito – DAP), serão realizados após visita no local e a verificação na literatura se há uma padronização em estudos em florestas similares na região, com vista de comparação dos resultados.
A identificação das espécies será feita com base em caracteres morfológicos, consulta à herbários e à especialistas, utilizando-se sempre que possível de vários exemplares. Os nomes científicos e dos autores serão revisados de acordo com a “Lista de Espécies da Flora do Brasil” (FORZZA et al., 2010).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPANILI, M.; PROCHNOW, M. ORG. Mata Atlântica – uma rede pela floresta. Brasília: RMA. p. 19. 2006.

Estudo de impacto ambiental da ampliação do Cais Leste do Terminal de Contêineres de Paranaguá/PR – EIA TCP.

FERREIRA, R.L.C. Estrutura e dinâmica de uma floresta secundária de transição, Rio Vermelho e Serra Azul de Minas, MG. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 1997.

FORZZA, R.C. et al. (2010). Introdução, In: Lista de Espécies da Flora do Brasil,
Acessed april 22, 2011, Available from: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/>

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Biomas Brasileiros. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/>. Acesso em: setembro 2011.

IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) / Fundação Édison Vieira. Zoneamento do Litoral Paranaense. Curitiba, 1989. Convênio SEPL (Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral) /IPARDES. 175p.

MENDONÇA, F. A. A tipologia climática – gênese, características e tendências. STIPP N. A. F. ET, AL. (Org) Macrozoneamento ambiental da bacia hidrográfica do rio Tibagi/PR. Londrina. Editora UEL, 2000.

MYERS, N., MITTERMEIER, R.A., MITTERMEIER, C.G., FONSECA, G.A. & KENT, J. (2000). Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, Vol. 403, pp. 853-858, ISSN 0028-0836


PARANÁ. Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Programa Floresta Atlântica. Mapeamento geológico da região de ocorrência da Floresta Atlântica no Paraná. Curitiba: SEMA / MINEROPAR. 2003. CD-ROM.


PARANÁ. Plano de Manejo: AEIT do Marumbi. Curitiba: SEMA/Instituto Ambiental do Paraná. Programa Proteção da Floresta Atlântica - Pró-Atlântica/Paraná. 2003. 221p.

RODERJAN, CV. & BRITEZ, R.M. Mapeamento da Floresta Atlântica do Estado
do Paraná. Programa de Proteção da Floresta Atlântica. Secretaria de Estado de

Meio Ambiente e recursos hídricos (SEMA). Governo do Estado do Paraná. Curitiba. 2002.

TORRES, R. F. Relatório de Vistoria Técnica da RPPN Reserva da Pousada Graciosa. Matinhos/PR: Ministério do Meio Ambiente (MMA) Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade, março 2011. N⁰ 4/11/ICMBIO/PNSHL/PR.

VIANA, V. M. 1990. Biologia e manejo de fragmentos florestais. In: Anais 6º Congresso Florestal Brasileiro, 1990. Campos do Jordão, p. 113-8.



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